POR NÃO ESTAREM DISTRAÍDOS
Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se
sente a garganta um pouco seca e se vê que por admiração se estava de boca
entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta
sede era a própria água deles. Andavam por ruas e ruas falando e rindo,
falavam e riam para dar matéria peso à levíssima embriaguez que era a
alegria da sede deles. Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se
tocavam, e ao toque - a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de
escuras - e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um
pouco mais seca de admiração. Como eles admiravam estarem juntos! Até que
tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram
essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das
palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não
vira, ela que, estava ali, no entanto. Tudo errou, e havia a grande poeira
das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso.
Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante
distraídos. Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já
tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que
eram. Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não
toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone
finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios. Tudo, tudo por não
estarem mais distraídos.
Clarice Lispector
Fim de semana pancada! Na sexta fui pra porcaria de boate...sábado tb fui pra porcaria de boate... e lá foi que aconteceu o bum... exatamente depois de uma uma semana, lá estava ela com seu novo amor...A única coisa que eu queria fazer era desaparecer, mas foi exatamente o que eu não fiz, continuei dançando, fui ao bar, tentei relaxar...Acredito que um tratamento de choque funciona bem melhor do que passar a vida me escondendo...Foi isso que eu fiz, encarei tudo de peito aberto, como tem que ser feito, sem subterfugios, sem mágoa, sem cinismo...A Ka, demonstrando um cuidado extra-especial comigo, tentando me fazer sorrir, LINDA!!! Mas infelizmente não era a minha noite...ainda. Foi minha amiga Regina que ficou comigo enxugando meu olhos até as sete da manhã... Cada vez que eu chego no fundo tenho a certeza de que vou sair dele mais forte, e por mais que tenha gente que ainda pergunte: - Você não fica com raiva das pessoas que te olham nesse estado e sentem pena, não acha que está na hora de reagir?
Eu penso que sinceramente, a minha dor é só minha e ninguém nunca vai entender e nem tem nada a ver com isso, e eu vou senti-la intensamente, até quando não aguentar mais, e ela (a dor) vai ter que passar, por si só...
No domingo saí com minhas amigas. Nos encontramos em um café. Já não foi tão horrível...E assim nada melhor do que um dia após o outro...
Me conheço. Dias melhores me esperam...
Dani